quarta-feira, 18 de abril de 2012

It's my car and I cry if I want to

Só tirei a carta aos 21 anos. Achava que, a partir do momento em que tivesse carta deixaria de andar à boleia para passar a dar boleia, o que para quem gosta de se preservar em vinha de alhos pode ser um problema. E na verdade foi isso que aconteceu… a parte do dar boleia e a parte do problema. Hoje tento seguir a máxima “se conduzir não beba”… tenha amigos que conduzam.

E tudo isto para dizer que, conduzir tornou-se um dos maiores prazeres que consigo ter sozinha. Se pudesse, todos os dias pegava no carro e, durante uma horinha, éramos só eu e ele. Ia por aí, sem destino. Porque nessas alturas eu sou tão eu. Posso não falar, não ouvir, não pensar. Posso pensar, falar, ouvir. Posso cantar e chorar e gritar e dançar. Às vezes sou tão ridícula que me envergonho de mim própria durante um ou dois segundos. Mas depois passa e é simplesmente o exorcizar de tudo o que vai de menos bom cá dentro.

Proporcionalmente, odeio dar boleia, principalmente se for uma viagem mais longa e for com alguém com quem não tenha uma extrema cumplicidade. Senão vejamos, vamos ali duas pessoas, sem muito em comum, sem poder saltar do carro em andamento se a coisa se tornar demasiado dolorosa. É aquela musica que passa e não podemos aumentar o som e soltar a franga, são aqueles silêncios tao constrangedores que nos forçam a iniciar conversas sobre e tempo a cada cinco minutos. Depois uma pessoa quer conversar e a outra não, uma pessoa tem frio e a outra calor, enfim…

Se a outra pessoa for o meu avô, então a coisa ganha contornos ainda mais perturbadores. O meu avô não tem carta mas acha que conduz melhor que ninguém e portanto pode dar palpites sobre a minha condução e a de qualquer automóvel que se cruza connosco. É aquela pessoa que nunca pode ir atrás, que leva o braço pendurado naquele suporte acima do vidro e que se estiver calado dez segundos devo preocupar-me.

Penso que o meu carro devia ter só um lugar (até eu poder levar alguém a quem goste tanto de dar boleia como ir sozinha). E lá ia eu, no meu mundo, a pular e a avançar como uma bola colorida.

Claro que, ao preço que está a gasolina, andar à boleia vai virar moda. Vão fazer-se arranjinhos na escola e no trabalho para levar o carro cheio e dividir a gasolina, e os veículos mais irão parecer autocarros comunitários.

Da minha parte, temo que o meu carro passe mais tempo parado que outra coisa e só não ando mais de bicicleta porque a furo sempre que faço mais de dois quilómetros com ela.

Mas quando o país e o mundo não estão para passeios, é tão bom às vezes ir por aí…


Mari@

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Just a kiss on your lips in the moonlight

Hoje (13/4) é o dia mundial do beijo. Por isso beija, beija como quem rouba o que já é seu. Beija como se fosse a primeira vez. Beija com medo e sem medo ao mesmo tempo. Beija como quem dá e recebe. Beija com os lábios, a língua, as mãos e o corpo.

Porque não há nada como um beijo de quem se ama… sabe a água quando se tem muita sede, sabe a gelado com calda de chocolate quente, sabe a sol de primavera e a céu limpo, a banho de chuva, a lençóis de cama lavados, a noites de verão, a mar salgado. Sabe férias, a lareira no Inverno, a bancos de jardim. Sabe a sonhos, a esperança, a reencontros, a abraços apertados e a colo. Sabe a carinho, a amizade, a desejo e a amor.

Quando se beija quem se ama os pés levantam do chão e o coração sai do sítio. Falta o ar. Não há outro som, outro cheiro, outro sabor. Não há outro mundo. Fazemos, sem nada dizer, as mais belas declarações de amor e cantamos dentro de nós aquela música que sabemos que estará a ser ouvida pela pessoa que nos beija. Quando beijamos quem amamos tudo o resto não importa, está tudo bem, há paz e tranquilidade e um calor que aquece corpo e alma.

E naquele beijo está tudo o que sempre esperámos. Há presente, passado e futuro. Há promessas e sonhos a dois, há desejos e memórias desse amor que é tão nosso, que é só nosso. Há vontade que a vida se resuma naquele momento ou que aquele momento se transforme na vida, porque tudo o que somos e queremos está mesmo ali.

E por isso fechamos os olhos, para que a visão não atrapalhe tudo o que o nosso corpo e o nosso coração estão a sentir. Porque os sentidos são mais que cinco, são mais que seis.

E sente-se sempre o mesmo, e nunca se sente o mesmo… e não há como não ser o melhor do mundo.

Por isso beija, beija como quem rouba o que já é seu.



Mari@

Conversa de elevador

Hoje é sexta-feira 13. Mas eu não sou assim tão aborrecida para falar deste assunto no próprio dia. Falarei lá mais para a frente… quando ninguém estiver à espera!

Hoje vou falar do tempo, o que faz de mim uma pessoa muito mais interessante.

Abril é o mês em que todos começamos a pensar no bom tempo. Vêm aí os meses sem “R”, sinónimo de sol e praia e pic nics na mata de S. Pedro, com o belo do frango e a suecada depois da sesta. Em ano de campeonato europeu de futebol já os homens começam a sonhar em vestir um calção, que mostra a perna branca, uma t-shirt de cavas e uma bandeira de Portugal a fazer de lenço na cabeça, para ver o jogo num ecran gigante da praça, beber umas jolas e comer uns tremoços.

Para mim, os meses sem “R” têm um único significado que resume tudo o que acabei de dizer e muito mais: caracóis! No dia das mentiras já só penso no dia do trabalhador (irónico, não é?). E passo trinta dias a sonhar com uma esplanada, um prato dos ditos ranhosos e uma sagres fresca, e penso que a minha vida será melhor nesse dia.

Mas está tanto frio lá fora. Não há condições para ter visões de dias quentes se só temos vontade de acender a lareira e beber um cházinho a ver o “sozinho em casa”. Temos que ter as luzes acesas se queremos ver bem porque está escuro, enrolamo-nos numa mantinha quando estamos no sofá porque já não é tempo de fogueira, e ainda não conseguimos tirar o cobertor que metemos na cama em Novembro.

Quando alteramos os relógios para o horário de verão esperamos verão, ou pelo menos qualquer coisa mais parecida com isso do que aquilo que temos tido.

Para mim é chato! E à medida que os dias vão passando só penso que isto tem que parar, porque só faz sentido comer caracóis numa esplanada, e sem casacos que só atrapalham na arte de o bem comer.

Por isso quero calor, se faz favor. Senão volto a pôr o relógio na hora de Inverno e mando vir neve.



Mari@


quinta-feira, 12 de abril de 2012

A 1ª doi sempre um bocadinho!

De vez em quando, apodera-se de mim o bichinho dos blogues. Ou porque entro num qualquer e me lembro que também gosto de fazer aquilo, ou então porque me apetece escrever mas ninguém me quer ler.

O mais provável é escrever dois ou três textos e não escrever mais nada, mas não faz mal, porque a melhor coisa dos blogues é que são grátis, e não sou obrigada a escrever neles se não quiser. E ninguém tem nada com isso.

A segunda melhor coisa de escrever um blogue é podermos escrever sobre qualquer coisa, mesmo quando não temos noção do que estamos a dizer e nem sequer temos uma opinião formada sobre o assunto. Proferimos as maiores barbaridades e está tudo bem… quem me conhece já sabe “o que a casa gasta” e quem não me conhece possivelmente nem vai ler. E eu fico toda contente a pensar que sei dizer muito, sobre muitas coisas, só porque aprendi a escrever na primeira classe e publico na internet.

Este espaço sem assunto e com cem assuntos não irá abordar um tema específico. Será mais uma espécie de polivalente (na escola, o polivalente era aquele espaço amplo que na teoria servia para tudo e na prática não servia para nada). Ou um caderno de capa preta ,onde faço rascunhos de ideias, que não conto a ninguém e que ninguém quer mesmo saber.

Não irei escrever de acordo com o novo acordo ortográfico. Não por ser contra ou a favor, mas simplesmente porque não sei escrever de acordo com o mesmo.

Espero que as duas pessoas que sei que vão ler me digam que acham graça mesmo que não achem, porque nestes tempos um elogio é sempre bem-vindo. E acima de tudo que eu também me possa divertir.


Mari@